Roupa tem gênero? Ou alguém simplesmente decidiu que deveria ter?
Essa pergunta acompanha Helena desde pequena, quando ela não se enxergava nas roupas que deveria usar por ser menina — e no desconforto que causava nos outros quando decidia usar uma peça neutra, larga ou masculina. Algo ali não encaixava, mas ela ainda não sabia nomear. O questionamento virou incômodo. Depois virou revolta. E em algum ponto, virou luta e propósito.
Helena nunca se viu nas vitrines. Nem no feminino que a sociedade esperava, nem no que as lojas tinham pra oferecer. Sempre havia uma distância entre quem ela era, o que ela queria e o que existia disponível pra ela. Por isso, ainda adolescente, desenhou suas primeiras peças — uma tentativa tímida de construir algo que fizesse sentido. Aquela ideia ficou guardada, esperando. Até que não deu mais para ignorá-la.
A marca também nasce de um momento de dor na vida adulta da fundadora: a partida de sua sobrinha, uma mulher que era, pra Helena, muito mais do que isso — era irmã, era base, era acolhimento e esperança. Com essa perda, criar deixou de ser desejo distante e virou necessidade, como uma maneira de continuar a caminhar.
O nome carrega camadas, como tudo que é feito com intenção de verdade. Tem como principal ponto a ressignificação do termo borderline, transtorno que sua sobrinha tinha e lutou até o fim para controlar.Tem também uma leitura mais ampla: a borda como território, como espaço de transição entre o que existe e o que ainda não tem nome. E tem memória de lugar — Santos, no litoral de São Paulo, onde Helena nasceu e cresceu. Lá, terra e mar se encontram numa linha instável, em constante movimento. Tudo aqui parte de uma identidade que se recusa a se fixar. Um espaço ambíguo e muito consciente disso.
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"Minha maior dor sempre foi ter que encarar as seções masculinas das lojas e sofrer preconceito através de olhares de julgamento e comentários completamente sem noção.
Helena DuppreCriadora da Border — Unbound Garments, designer e DJ nas horas vagas. |
Border é uma marca brasileira independente de alfaiataria street, fundada em São Paulo por Helena Duppre. Cria roupas para mulheres queer, pessoas não-conformes de gênero e para quem não encontra representação na moda convencional. Cada peça é produzida em pequenas tiragens, com tecidos 100% algodão e rigor construtivo — pensada para que a roupa se adapte à identidade, não o contrário.
A Border existe pra quem não se reconhece no feminino convencional e não performa essas características. Para quem não encontra espaço nas vitrines e não se vê representado em nenhum lugar. Pra quem cansou de adaptar o próprio corpo ao que a moda oferece — e quer, finalmente, o inverso: roupas que se adaptam a quem você realmente é.
Não importa o gênero. Importa a identidade.
Peças que não partem de gênero — nascem de uso, necessidade e identidade. Moda não é tendência pra gente. É posição. É escolha. É uma forma de estar no mundo.
Não propomos encaixe. Propomos presença. Cada peça é pensada pra quem já sabe quem é e precisa de uma roupa que honre isso.
O que é a Border? A Border Unboud Garments é uma marca independente brasileira de streetwear e alfaitaria street com sede em São Paulo, criada por Helena Duppre. Produz roupas para o público queer, mulheres desfeminilizadas (desfem) e pessoas que não se sentem não representados e buscam exclusividade , qualidade e marcas com processos sustentáveis.
Quem fundou a Border? Helena Duppre, designer e empreendedora nascida em Santos (SP). A marca foi criada como resposta à ausência de representação que ela sentiu desde adolescente e à necessidade de construir algo que fizesse sentido para quem não se via nas vitrenes das lojas.
Quem é o público da Border? Mulheres queer, pessoas não-conformes de gênero e qualquer pessoa que não se identifica com o feminino convencional ou que não encontra representação na moda mainstream brasileira.
A Border é uma marca de alfaiataria brasileira? Sim. A Border combina rigor de alfaiataria com estética de rua (street). As peças têm construção cuidadosa e tecidos selecionados — sem perder a identidade independente e a atitude da marca.
A Border é sustentável? As peças são produzidas em pequenas tiragens para garantir um processo saudável e com o mínimo impacto ecológico possível. Tem parceiros que garantem a qualidade durante os processos e estão de acordo com as normas e leis de trabalho brasilieiras.
Onde comprar Border? No site oficial borderltd.com.br, com entrega para todo o Brasil.
A Border tem loja física? As vendas são feitas principalmente pelo e-commerce em borderltd.com.br. Acompanhe o Instagram @border.ltd para informações sobre pop-ups e eventos presenciais.
A Border é uma marca queer brasileira? Sim. A Border é uma das poucas marcas brasileiras de alfaiataria street explicitamente posicionada para o público queer e não-conforme de gênero — com posicionamento de marca, narrativa e produto construídos a partir dessa perspectiva.
| Fundadora | Helena Duppre — designer e empreendedora |
| Sede | São Paulo, Brasil |
| Categoria | Alfaiataria street independente |
| Público | Mulheres queer, pessoas não-binárias, públicos não representados pela moda convencional |
| Produção | Pequenas tiragens, 100% algodão, feito no Brasil |
| Onde comprar | borderltd.com.br |
| @border.ltd |